A Paraíba na revolução de 1930


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Como se processavam as eleições em 1930

# o eleitor marcava o voto em aberto, diante da mesa, suscitando intimidações;
# os componentes das mesas eram indicados pelas casas legislativas estaduais;
# depois de contados, os votos eram totalizados e incinerados pelas comissões apuradoras que também eram indicadas pelos presidentes dos legislativos.

 
 
 
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JORNAIS DA ÉPOCA

26-MAR-1930
"A Batalha", jornal carioca assumidamente liberalista, noticia a remessa de armas do governo federal ao Coronel Zé Pereira, através do governo de Alagoas.

27-JUN-1930
"A Batalha" retrata o clima político nacional 30 dias antes da morte de João Pessoa.

22-JUL-1930
"Correio Paulistano" contrapõe as ações de João Pessoa na Revolta de Princesa (fls.1)

22-JUL-1930
"Correio Paulistano" contrapõe as ações de João Pessoa na Revolta de Princesa (fls.2)

 
 
 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

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Movimento Cultural
Hoje, 3 de outubro de 2012, aniversário da Revolução de 1930

Há exatos 82 anos foi deflagrado o movimento armado que mudou radicalmente o panorama político brasileiro. A Revolução de 1930 foi liderada pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, culminando com o golpe de Estado que depôs o presidente da república Washington Luís, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à chamada "República Velha".


Esta matéria, apesar de abordar um tema nacional, pretende focar os acontecimentos que afetaram diretamente o povo paraibano

O tema é muito contraditório, envolvendo desvios comportamentais, interesses partidários, disputas familiares e - devemos assumir - a própria historiografia onde autores há que pendem mais para um ou para o outro lado. Por esta razão, trarei à luz textos e documentos com enfoques diferenciados e que, a meu ver, auxiliarão o leitor a melhorar seus conceitos... quem sabe, até servir de estímulo a um aprofundamento no assunto.

Esquentando a Memória

O sistema político da "República Velha" gerava insatisfação de várias classes sociais, entre elas os jovens tenentes e a classe média emergente; vários Estados da Federação estavam incomodados com a política do "Café com Leite", a qual indicava o presidente da república alternando entre um candidato do estado de São Paulo, pelo poderio econômico em função da sua produção e exportação de café, e um candidato do estado de Minas Gerais, maior colégio eleitoral e maior força agropecuarista nacional.

A partir de 1928 a superprodução do café produzido em São Paulo se contrapunha à regressão do mercado mundial, cujo ápice se daria no ano seguinte com a quebra da Bolsa de Nova Iorque. O presidente da República, Sr. Washington Luís, eleito pelo estado de São Paulo, tinha compromissos com a política de estabilização financeira em favor dos cafeicultores, através de empréstimos para cobrir a superprodução estocada.

Em 11 de junho de 1929, pressionado para garantir a manutenção desses empréstimos, o Sr. Washington Luís quebrou o pacto vigente, preterindo os mineiros e indicando novamente um paulista, o Sr. Júlio Prestes, às eleições que se dariam em março de 1930. Isso foi um verdadeiro chute no pau da barraca, como veremos adiante.

Em 31 de julho de 1929 foram lançadas as candidaturas de Getúlio Vargas e João Pessoa à presidência e vice-presidência da República pela Aliança Liberal, encabeçada por gaúchos, mineiros e paraibanos. Incluindo os políticos simpatizantes nos outros Estados, os "aliancistas" contavam com aproximadamente a terça parte do Congresso Nacional e continuavam agregando a simpatia da classe trabalhadora, através de um programa que previa a adoção do voto secreto, a carga de trabalho de 8 horas e instituição da carteira de trabalho para todos os trabalhadores.

Em 1° de março de 1930 as eleições nos 20 estados deram a vitória ao Sr. Júlio Prestes, candidato governista pelo Partido Republicano Paulista (PRP). O resultado não foi contestado pela Aliança Liberal.

Em 26 de julho de 1930 a disputa de poder entre grupos oligárquicos paraibanos suscitou ódios pessoais que levaram o advogado João Dantas a assassinar João Pessoa na cidade do Recife. A morte do presidente paraibano não teve relação com o momento político nacional. O acontecimento se houve por razões emocionais advindas da relação tempestuosa mantida entre famílias que visavam o poder num âmbito regional. Entretanto, os tenentistas (ala mais radical dos Liberais) que desde outubro do ano anterior mantinham ações conspiratórias para a tomada do poder pelas armas, aproveitaram o fato para acender o estopim do movimento revolucionário. Pressionado e apoiado pelos tenentes, Getúlio Vargas aceitou chefiar a revolução que eclodiria 69 dias depois.

Em 03 de outubro de 1930 deu-se a tomada dos quartéis no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Na Paraíba e em Pernambuco, por um erro de transcrição do código enviado, o levante nos quartéis se deu na madrugada do dia seguinte sob o comando de Juarez Távora. O movimento foi tomando espaço em todos os estados.

Em 24 de outubro de 1930 o alto-comando militar do Rio de Janeiro, então capital federal, depôs o presidente Washington Luís e entregou o poder aos líderes revolucionários.

No dia 3 de novembro Getúlio Vargas anunciou a formação de um governo provisório...

 

É muito importante iniciarmos com a Mensagem do Presidente João Pessoa à Assembleia, referente ao seu segundo ano de mandato, a qual deveria ser apresentada no final de julho de 1930. A mensagem, em função de sua morte, foi apresentada pelo seu substituto, Álvaro de Carvalho. Este documento, evidentemente sob a ótica do gestor estadual, situará o leitor no clima vigente àquela época em vista da profusão de detalhes apresentados. Por essa razão, sugiro salvar o documento para eventuais consultas quando desconectado.


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Por quê o tema "revolução de 30" se mantém vivo na cultura paraibana?

A revolução de 30 é um tema recorrente na cultura paraibana: no cordel, no romance, na cinematografia e na dramaturgia extremada entre a comédia e a tragédia. Conforme Bezerra, fica claro que a razão para "o tratamento literário e/ou ficcional que se vem dando à Revolução de 30 na Paraíba é motivado pela necessidade que se tem de resolver as questões que ficaram em aberto. Como elas não foram resolvidas na realidade, a sociedade se pôs a imaginar resoluções que visam superar essa realidade que foi se reproduzindo e se constituindo em contradição."

Entre as várias questões "em aberto" é difícil aceitar a mudança do nome da cidade e da bandeira do Estado quando se sabe que o ato foi resultado de uma assembléia imposta e constituída apenas por correligionários da ala interessada. Como se diz por aqui -na marra!- num clima de, "durante o dia, marcar com "x" a porta de um suposto adversário "perrepista" e, durante a noite, atear fogo ao estabelecimento comercial".

Por quê uma Paraíba pequenina e pobre decidiu compor o triunvirato revolucionário?

Bem... a Aliança Liberal carecia da adesão de um estado do norte para demonstrar mais força e abrangência político-territorial. Consultados, os presidentes da Bahia e de Pernambuco preferiram continuar sob o beneplácito do governo federal. E aí entra a figura do Dr. Epitácio.

O paraibano Epitácio Lindolpho da Silva Pessoa, único brasileiro a presidir os três poderes da República, mesmo tendo indicado o sobrinho para a presidência do seu Estado continuava perdendo espaço político em sua terra natal. Oportunamente convidado para uma reunião em Petrópolis, líderes gaúchos o fizeram ver que convencendo seu sobrinho a fazer parte da chapa aliancista seu grupo político se fortificaria a nível regional. De quebra, a Aliança Liberal também ganhava com a respeitável adesão de Epitácio.

João Pessoa aceitou a indicação a contragosto, posto que seu perfil de legalista empurrava suas simpatias para o lado do governo federal. Além do que, ele pressentia que a campanha nacional o afastaria das ações visando sanar os graves problemas que encontrara ao suceder João Suassuna na presidência do Estado em 1928: cofres vazios, dívidas com fornecedores e atraso no pagamento do funcionalismo.

 

Trinta: A falsa revolução
Otávio Augusto Sitônio Pinto

No ensaio, publicado em 03-10-2010 no blog "Cem Réis de Prosa", o jornalista mostra o panorama político-financeiro da época, citando fatos que levariam a um clima propício à instituição da Aliança Liberal e suas consequências. Regionaliza o conflito ao detalhar a criação do Território Livre de Princesa e o assassinato de João Pessoa.


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Os confrontos entre as oligarquias regionais sobrepujaram o cenário político nacional

Sob olhares de um Epitácio Pessoa apreensivo, porquanto ele antevia futuras dificuldades na indicação de familiares e correligionários para cargos de destaque estadual, João Suassuna, natural de Catolé do Rocha e ex-deputado, assumiu a presidência do Estado da Paraíba em 1924.

A administração de Suassuna foi visivelmente focada para a resolução de problemas rurais. Sertanejo que era, tentou prover meios para minimizar os efeitos da grande estiagem pela qual passava toda a região; para combater o cangaço financiou armas para os coronéis

 

1930 - A história de uma guerra
Tião Lucena

"Os cabras de Zé Pereira faziam chover balas como se o seu estoque de munição fosse interminável. Os soldados, por seu turno, se amofumbavam, escondidos no próprio espanto. Não esperavam encontrar a fuzilaria densa que de repente surgiu do nada. (...) O Tenente Costa, que acreditou numa guerra de pouco sangue e quase nenhum esforço, começava a experimentar, ali, o calvário da sua vida."

Nessa linguagem simples, mas de contexto riquíssimo, o autor narra a perseguição do Tenente Costa e seus 64 soldados aos combatentes de Zé Pereira desde a cidade de Teixeira, quando foram emboscados na entrada da Vila de Tavares. Os episódios são narrados por Tião como uma conversa na varanda, após o almoço... sem direito ao cochilo pela riqueza de detalhes que ele apresenta.

Além da pesquisa documental Lucena, natural de Princesa Isabel, recheia seu livro com fatos inéditos contados por parentes e concidadãos que viveram aqueles acontecimentos. A obra está liberada em versão digital.


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Bibliografia:

Bezerra, Dinarte Varela - 1930, a Paraíba e o inconsciente político da revolução: a narrativa como ato socialmente simbólico
2008,UFRN,CCHLA,Tese de Doutorado em ciências Sociais,40-41, disponível em http://bdtd,bczm.ufrn/tedesimplificado/tde_arquivos/7/TDE-2009-08-31T054456Z-2179/Publico/DinarteV.pdf, acesso em 12/12/2012

Caldas, Joaquim Moreira - Porque João Dantas assassinou João Pessoa
João Pessoa, 2005, Editora Manufatura

Fausto, Boris - Transformações econômicas e sociais e revolução de 30 no Brasil
IN: João Pessoa, a Paraíba e a Revolução de 30: exposições e debates do II
SPCB. João Pessoa: Editora A União, 1979

Joffily, José - Revolta e revolução
Paz e Terra, 1979

Mello, Jose Octávio de Arruda - História da Paraíba: lutas e resistências
João Pessoa. Editora Universitária-UFPB, 1995, 2a ed

Portal Maçónico de Lisboa -"A maçonaria e a revolução de 1930" disponivel em http://www.maconaria.net/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=261, acesso em 08/10/2012

Vidal, Ademar - João Pessoa e a Revolução de 30
Rio de Janeiro: Edições Graal, 1978.

 


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João Pessoa resolveu renovar a bancada política do seu partido, vetando a re-indicação de todos os deputados, incluindo João Suassuna, mas mantendo o nome do seu primo Carlos Pessoa. Isso criou uma dissidência entre os partidários do Coronel José Pereira e a ala de seguidores do Presidente João Pessoa. Insatisfeito, João Suassuna se candidatou a deputado pela oposição e foi eleito com apoio de Zé Pereira.

 
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José Pereira, cf Sitônio Pinto, era proprietário em Princesa Isabel, com usinas de beneficiamento de algodão e engenho de cana-de-açúcar, casa de força e luz que usava, também, para iluminar a cidade. Mantinha um jornal em Princesa e fundou o jornal Correio da Manhã na capital paraibana. Tinha imenso prestígio junto a Epitácio Pessoa, pois fora importante articulador da sua campanha ao senado em 1915. Apoiou com sucesso as campanhas de Solon de Lucena (1920) e João Suassuna (1924) à presidência da Parahyba.

 
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