A FORTALEZA DE SANTA CATARINA
"A fortaleza é o centro de resistência
e tornou-se o nosso maior patrimônio pela posição
que ocupou." José Américo
de Almeida prefaciando o livro História da Fortaleza de
Santa Catarina, de Vilma dos Santos Cordeiro.

Fortaleza de Santa Catarina em foto de
1992
Em 1586 - o governo de Frutuoso
Barbosa reconheceu a necessidade urgente de se construir um forte
para a defesa da Cidade de Nossa Senhora das Neves. Escolheu-se
a ponta de terra à margem direita do Rio Paraíba,
no local denominado Cabedelo, que significa ponta de areia ou pequeno
cabo conforme Câmara Cascudo. O Forte do Cabedelo foi construído
em madeira e taipa na parte mais extrema do cabo, dominando toda
a embocadura do rio que dá acesso à cidade edificada
18 Km rio acima.
Ver fotos aéreas da região em 2002: vista
do rio vista
do mar 
Em 1592 - é reconstruído
(fôra destruído pelos potiguaras no ano anterior)
e denominado Forte de Santa Catarina. Não há certeza
se em homenagem a D. Catarina Duquesa de Bragança, aspirante
preterida ao trono português, ou à santa do dia como
era costume. O certo é que a capela interna é dedicada
a Santa Catarina.
Em 1597 - teve seu primeiro teste
de resistência. Uma armada francesa (13 navios) com planos
para afirmaçao de novas bases na costa brasileira desembarcou
350 homens e investiu contra o forte que contava com um minguado
grupo de 20 soldados, um capitão e apenas 5 canhões.
A bravura da guarda local conseguiu imprimir, com rapidez, tantas
baixas aos invasores que estes puseram-se ao largo com algumas
naus em chamas e partiram sem saber que o forte estava praticamente
desguarnecido. Aquela foi a última tentativa francesa no
sentido de abocanhar um pedaço do nosso território.
Varnhagen em sua "História Geral do Brasil" foi
o primeiro historiador a apontar e valorizar essa batalha como
um marco na manutenção das terras do norte do Brasil.
Em 1601 - conforme Irineu Pinto,
o forte tinha um contingente de 25 homens, incluindo o capitão
e dispunha de 14 canhões, sendo 3 de bronze. Os canhões eram
longos tubos de ferro ou bronze, mal fundidos e sem qualquer aparelho
de pontaria; não raro, a peça explodia em vários
pedaços matando o operador, como aconteceria com o filho
de Duarte Gomes da Silveira, comandante do Forte de Santo Antônio
durante o ataque holandês de 1631.
Em 1631 - a primeira grande invasão
holandesa ocorreu no dia 03 de dezembro quando a Companhia das Índias
Ocidentais (Holanda), partindo do porto do Recife, iniciou um grande
ataque à fortaleza com 26 naus e 26 barcaças transportando
1.600 homens. A armada desembarcou em Cabedelo no dia 05 acreditando
na tomada da fortaleza sem muita resistência. Tal não
ocorreu em vista de o governador Antônio de Albuquerque Maranhão
ter melhorado a defesa da fortificação com muralhas
e paliçadas. Acrescente-se que, 16 dias antes do ataque,
o governador soube, por desertores holandeses, da quantidade de
navios e material bélico a serem utilizados no ataque. Isso
ajudou no desenvolvimento da defesa das fortificações
e reforço do contingente humano. Assim, no desembarque holandês,
a defesa da capitania contava com cerca de 700 homens, entre brasileiros,
portugueses e espanhóis, mais inúmeros índios.
O cerco à fortaleza durou 6 dias, com lutas de assalto e
corpo-a-corpo, após o que os invasores bateram em retirada.
Van Waerdenburch, governador do Recife, em carta ao Conselho dos
XIX relata baixas de mais de 200 homens entre mortos e feridos.
Em 1634 - no dia 4 de
dezembro o reconhecimento da costa entre o Cabo Branco
e a enseada de Lucena foi feito por um barco-batedor holandês;
o barco foi visto pelas tropas defensoras mas estas acreditaram
ser um barco amigo e nada fizeram contra ele. Na mesma manhã o
general Van Schkoppe comandou uma armada com 2354 homens, em
29 naus com 500 canhões, desembarcando 600 homens na enseada
do Bessa, os quais varreriam toda a praia na direção
norte até Cabedelo; enviou 3 navios para a enseada de
Lucena e iniciou um ataque frontal à fortaleza que, juntamente
com os fortes de Santo Antônio e São Bento, formava
o tripé de defesa da
fóz do Rio Paraíba e canal de acesso à Cidade
de Filipéia.
- dia 9, o cerco holandês continuava forte mas encontrava
grande resistência. Aproveitando a obscuridade da madrugada, 2 barcos
com 400 homens e 48 canhões atacaram o Forte de São Bento, na
Ilha da Restinga, acabando com o ponto de apoio no abastecimento de alimentos
e munição à fortaleza pelas forças de defesa da
cidade. O Forte de São Bento contava com apenas 2 canhões e 40
homens. Destes, 8 escaparam e "32 espanhóis e portugueses foram
passados a fio de espada", segundo o historiador Petrus Marinus Netscher.
- dia 10, o experimentado e combativo João de Matos
Cardoso, há 40 anos comandando a fortaleza, é ferido e posto
fora de combate com uma bala de mosquete no queixo. A situação
começa a piorar devido a muitas baixas sofridas com os ataques sistemáticos
de bombas incendiárias lançadas pelos invasores a partir desse
dia.
- dia 14, partem do Forte de Santo Antônio 4 chalupas
(pequenos barcos) sob fogo cruzado, levando mantimentos e munição
para a fortaleza que continuava sitiada. A ação, muito arriscada,
revelou ato heróico dos irmãos açorianos Antônio
e Francisco Peres Calháu que, mesmo muito feridos (Antônio teve
o braço direito arrancado por uma bala) continuaram pilotando o barco
e conseguirram atravassar o canal, registrando-se 6 mortos, 10 feridos e 1
barco afundado, como é citado pelo historiador Irineu Pinto em "Heroismos
de Cabedelo", Rev.IHGP, ano XV, vol. V.
- dia 18, a situação na fortaleza piorara ainda
mais pelo grande número de feridos sem tratamento, e já há 3
dias com racionamento de alimento e munição. Os invasores tiveram
informações inexatas de que uma grande armada espanhola estaria
vindo em socorro da cidade e tentaram antecipar a tomada final da fortaleza.
Enviaram, então, emissários propondo uma rendição
mas a proposta não foi aceita pelos sitiados, mesmo conscientes de que
não aguentariam o próximo assalto. Os holandeses, então,
recrudesceram os ataques de artilharia e bombas incendiárias.
- dia 19, um Conselho reunido na fortaleza decidiu que continuar
a luta era condenar à morte todo o resto da guarnição.
Propuseram um armistício para negociações sobre a rendição.
- dia 20, a Fortaleza de Santa Catarina capitulou sob os termos:
1- a guarnição deixaria o reduto com as bandeiras
desfraldadas;
2- a guarnição levaria suas armas, morrões acesos
e toda a sua
bagagem;
3- os capitães escolheriam 120 homens para ficar no Brasil;
4- o pessoal restante seria embarcado para as Antilhas em navios
holandeses. |
- dia 23, caiu, também, o Forte de Santo
Antônio.
- dia 24, os invasores entraram na Cidade de Filipéia
de Nossa Senhora das Neves.
Em 1645 - as tropas do capitão
Lopo Curado Garro retomaram a cidade de Filipéia. Os holandeses,
entretanto, mantiveram sob controle a Fortaleza de Santa Catarina
e ali permaneceram, praticamente sitiados, durante os últimos
9 anos de permanência na Paraíba. A fortaleza lhes
serviria apenas de ponto de apoio militar durante as lutas contra
a resistência da Capitania de Pernambuco, que continuou sob
seus domínios até 1654.
Ver mapa tático
holandês para a tomada da fortaleza em 1634.
Ver a Fortaleza no Google Maps.
| Fica registrado o meu apreço aos
irmãos Antônio e Marcos Rodrigues da Silva,
pessoas vibrantes com a história da Paraíba,
os quais me facilitaram o acesso ao livro "A História
da Fortaleza de Santa Catarina", de Vilma dos Santos,
base para a compilação dos tópicos acima
apresentados. |
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BIBLIOGRAFIA:
ALMEIDA, Horácio
de - História da Paraíba
João Pessoa.Imprensa Universitária.1966
CORDEIRO, Vilma dos Santos - A História da Fortaleza
de Santa Catarina
João Pessoa.Imprensa Universitária da Paraíba.1971
MELLO, José Octávio de Arruda - História
da Paraíba: Lutas e Resistência
João Pessoa.A União.2002.7ª Edição
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Cidade de Cabedelo com marcador da
Fortaleza de Santa Catarina. Siga os
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