1930- raça Álvaro Machado

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

curiosidades

   a conquista do território
   os nomes
os nativos
   as ordens religiosas
   o pau-brasil
   a fortaleza
   o domínio holandês
   restauração e anexação
   novos ares de província


A dança dos Tapuias (168x294cm) a maior e mais famosa obra de Eckhout retrata um ritual dos índios Tarairius, nativos das terras da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Albert Eckhout integrou a equipe de Maurício de Nassau durante o domínio holandês no nordeste brasileiro. A tela pertence ao Museu Nacional da Dinamarca.


OS NATIVOS

"Em toda esta província há muitas nações de diferentes línguas, porém uma é principal que compreende algumas dez nações de índios: estes vivem na costa do mar e em uma grande corda do sertão, porém são todos estes de uma só língua (...) os primeiros desta língua se chamam Potiguaras, senhores da Paraíba, 30 léguas de Pernambuco, senhores do melhor pau do Brasil e grandes amigos dos Franceses, e com eles contrataram até agora, casando com eles suas filhas; mas agora na era de 84 foi a Paraíba tomada por Diogo Flores, General de Sua Majestade, botando os Franceses fora, e deixou um forte com cem soldados, afora os portugueses, que também têm seu Capitão e Governador Frutuoso Barbosa (...). Perto destes vivia grande multidão de gentio que chamavam "Viatã", destes já não há nenhun, porque sendo eles amigos dos Potiguaras e parentes, os portugueses os fizeram entre si inimigos, dando-lhos a comer, para que desta maneira lhes pudesse fazer guerra e tê-los por escravos (...) e os cativaram e mandaram barcos cheios a vender a outras capitanias." - - - (extraído do texto "Tratados da terra e gente do Brasil, p201-202", escrito entre 1583 e 1601 pelo Padre Jesuíta Fernão Cardim nos anos seguintes à sua chegada ao Brasil, quando desempenhou o cargo de secretário do Padre Visitador Cristóvão de Gouveia).

Os índios potiguaras (potiguar/pitiguar, na língua tupi pode ser traduzido como comedor de camarão) eram os primitivos habitantes do litoral da Paraíba na época do descobrimento do Brasil. Viviam desde o delta do Rio Paraíba[1] até a Baía da Traição e terras para leste subindo o rio Mamanguape até a Serra do Copaoba (região dos atuais municípios de Caiçara, Belém, Serra da Raiz e Pirpirituba) e parte do vizinho estado do Rio Grande do Norte. Eram guerreiros muito ferozes que mantinham o hábito de, após as batalhas, assar e comer os inimigos capturados, o que aterrorizou sobremaneira os portugueses. Conviviam bem com franceses e holandeses que aportavam a costa paraibana porque esses mantinham apenas uma relação mercantilista. Ao contrário, odiavam os portugueses porque a produção do açúcar no nordeste (principal fonte econômica da colônia) exigia muita mão de obra escrava. Então os portugueses aprisionavam indígenas para suprir a falta de escravos. Resistiram bravamente durante mais de uma década às forças portuguesas para a fundação da cidade. Após a derrota para a aliança entre portugueses e tabajaras eles foram quase exterminados por sucessivos ataques de varíola, a partir de 1597, quando, gradualmente, se retiraram para o Ceará e interior do Maranhão. Hoje, na Paraíba, existem 29 aldeias potiguaras[2], perfazendo acima de 13.500 índios (2007) distribuídos nos municípios de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto. Existem, ainda, grupos remanescentes no interior do Ceará.

Os índios tabajaras, "... oriundos da bacia do Rio São Francisco, chegaram em 1584 após batalhas e perseguições sofridas por aquelas bandas," cf José Octávio de Arruda Mello em sua "História da Paraíba - Lutas e Resistência". Os tabajaras tinham uma certa experiência no convívio com os portugueses desde quando, na Capitania da Bahia, lhes auxiliaram em lutas e até mesmo na captura de outros indígenas para trabalhos forçados. Mas era uma relação do tipo "um olho no gato e outro no peixe" pois também tiveram muitos da sua tribo capturados e mortos pelos "perós", como os chamavam. Em 1585 entraram em desentendimento com os potiguaras. O fato ensejou um acordo de Piragibe (Braço de Peixe), principal dos tabajaras, com o capitão João Tavares, possibilitando a união de forças que resultariam na derrota dos potiguaras e a tomada do seu território. Ao se estabelecerem na região, ocuparam todo o baixio da margem direita do Rio Sanhauá, onde atualmente está o bairro da Ilha do Bispo. Hoje, na Paraíba, encontram-se alguns descendentes em grupos sem qualquer identidade nos municípios de Alhandra, Conde, Gramame e Santa Rita.

Os índios tarairiús se agrupavam em 22 grandes tribos no interior do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Segundo José Elias Borges Barbosa (professor da UFPB e membro do IHGP), "...para a conquista do sertão os portugueses foram invadindo as terras ocupadas pelos tarairiús. A guerra contra os tarairiús começou nos anos 1630 e se estendeu até 1730, uma guerra de cem anos. Foi a maior guerra indígena do Brasil. Como eles estiveram ao lado dos holandeses nas batalhas contra os portugueses foram praticamente execrados, considerados selvagens e foram desprezados." Que se saiba, existem, ainda, cerca de 3.000 índios tarairiús em Pernambuco, na serra de Ororubá, próximo à cidade de Pesqueira, com o nome de Sucurus ou Xucurus. São remanescentes das tribos da Paraíba e Rio Grande do Norte.

NOTAS
[1]
O nome Paraíba vem do tupi par'a'iwa e significa rio de águas perigosas, ruins, traiçoeiras.

[2]
Além dessas aldeias existem outros povoados que não possuem representantes e se fazem representar pelo líder da aldeia mais próxima. Para saber mais sobre os potiguaras da Paraíba veja...


BIBLIOGRAFIA:
BORGES, José Elias - Indígenas da Paraíba
João Pessoa.Sec.Educ.Cultura.1984

MELLO, José Octávio de Arruda - História da Paraíba: lutas e resistência
João Pessoa.A União.1994

MOONEN, Franz - Os índios potiguaras da Paraíba
João Pessoa.NUPPO/UFPB.1982

 

 


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