1930- raça Álvaro Machado

 


 


A Parahyba na revolução de 1930

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

curiosidades

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   o pau-brasil
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   o domínio holandês
   a restauração e anexação
novos ares de província

NOVOS ARES DE PROVÍNCIA

O século XIX presenteou-nos com a corrida para a industrialização verificada em terras européias, gerando um aumento desenfreado da população nas grandes cidades e, em consequência, sintomas como o crescente aumento de doenças e epidemias decorrentes da falta de estrutura sanitária então vigente nas grandes metrópoles. A partir de então, os governos passaram a adotar políticas visando a higiene e a prevenção de doenças.

Com a vinda de D. João VI e sua corte para o Brasil (1808-1821) a colônia se descobriu séde do império e viveu sensíveis modificações nos aspectos administrativo e social. O Brasil tornou-se um reino europeu transplantado para o hemisfério sul. As demais nações referiam-se sem problemas ao governo português como "Corte do Rio de Janeiro". Dentro desse quadro, o interesse do imperador em melhorar a qualidade de vida para si e sua corte respingava nos provincianos que frequentavam a cidade do Rio de Janeiro, capital do império, os quais levavam às suas regiões uma visão de modernidade antes não vivenciada.

Respingavam, também, as novas ideias sobre "liberalismo" sopradas pelo velho mundo. Ideias que resultaram na independência dos Estados Unidos em 1776 e do Haiti em 1804 e que, aqui, foram propagadas por sociedades secretas como a maçonaria. Além disso, a "aliança política joanina"[1] com a Inglaterra implicava em vantagens que os comerciantes ingleses detinham sobre os portugueses e estes sobre os brasileiros, gerando insatisfações que estimulariam conspirações contra o modelo administrativo português, como ocorreria em Pernambuco no ano de 1817 e que, inexoravelmente atingiria a Parahyba não somente pela situação fronteiriça mas, sobretudo, pela intensa relação cultural e comercial mantida com aquela província.

Em 1822 a cidade da Parahyba teve instalados 20 postes de madeira com lampiões alimentados a azeite de mamona, distribuídos entre o Palácio do Governador, quartel, cadeia e igrejas. O sistema, apesar de precário, representava um notável progresso para a época. Em 1830 a Câmara esboçava um código de normas para uso do espaço urbano e a conduta das pessoas, cuidando para a pintura das casas com cal, a remoção do lixo das ruas e a limpeza dos terrenos e das fontes.

Em 1838 o Lyceu Paraibano contava com 120 alunos e ensinava latim, francês, retórica, geometria, filosofia racional e moral. Em sua fala à Assembléia o Dr. Joaquim Peixoto D'Albuquerque, Presidente da Província, solicitava a "criação de aulas de comércio na qual fosse ensinada a escrituração por partidas dobradas, câmbio, seguro, pesos e medidas".[2] Sua idéia de uma academia de comércio seria concretizada 84 anos depois graças aos esforços do jornalista e educador Coriolano de Medeiros.

Em 1841 o jornal A Regeneração publicou um expediente do Presidente da Província ordenando a Tesouraria da Fazenda a "pagar o aluguel de duas carroças para carregamento do lixo das ruas e autorizando o Chefe de Polícia a utilizar os presos da cadeia no serviço de limpeza das ruas da capital" [3].

Em 1854 a má remuneração dos professores de instrução primária, contratados sem a precisa habilitação, já preocupava o Presidente da Província que propunha à Assembléia um novo concurso, com consequente majoração salarial para os que lograssem sucesso e jubilamento para os que não fossem aproveitados[4]. Naquele ano o jovem Pedro Américo de Figueiredo e Melo, natural de Areia no interior da província, então com 12 anos e já reconhecido como exímio desenhista, foi convidado pela Casa Imperial para viajar ao Rio de Janeiro onde, por ordem expressa do Imperador D. Pedro II, foi matriculado na Academia Nacional de Belas Artes. A cultura brasileira ganhou muito com esse gesto do Imperador.

Em 1885, finalmente, a cidade teve uma política de iluminação pública mais eficaz, com a instalação de 200 bicos combustores alimentados a querosene. Esses bicos eram acesos durante 9 horas a contar de meia hora após o sol posto, excetuando-se as noites de luar. Isso resultou em mudanças nos hábitos noturnos da população, focando os ítens segurança e lazer que passaram a ser mais praticados através de visitas a vizinhos e parentes.

 

 

NOTAS

[1] Aliança Política Joanina
Entre as chamadas Guerras Napoleônicas, a Guerra Peninsular ocorreu entre 1807 e 1814, onde a Espanha se aliou à França para tomar e dividir entre eles o território português. Um acordo secreto feito por D. João VI com a Inglaterra previa a proteção da armada inglesa na transferência da corte portuguesa para o Brasil. Zarparam em 29 de outubro de 1807, num périplo de 86 dias pelo atlântico sul, com cerca de 15 mil pessoas em 16 navios até aportarem em Salvador em 24 de janeiro de 1808. Em 28 de janeiro foi assinado por D. João o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, no qual os comerciantes ingleses eram tratados com muito mais amizade (veja cópia do documento na WikiMedia).

[2] Aulas de comércio, câmbio, seguro, pesos e medidas
Fala do Presidente da Província da Parahiba do Norte à Assembléia Provincial no dia 24 de junho de 1838; documento disponível no Center for Research Libraries (http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u492/000002.html) acesso em 26/12/10

[3] Utilização de presos no serviço de limpeza
Documento do Palácio do Governo da Paraíba, datado de 23 de novembro de 1841, acervo do Arquivo Histórico do Estado da Paraíba (cf Maia "Uma cidade em (re)construção : A cidade de Parahyba no século XIX")

[4] Concurso e jubilamento para professores
Fala do Presidente da Província da Parahiba do Norte à Assembléia Provincial no dia 05 de maio de 1854; documento disponível no Center for Research Libraries (http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/581/000002.html) acesso em 18/01/11

 

BIBLIOGRAFIA:

COELHO FILHO, J. Santos - Revista do Instituto Histórico e Geoghráfico da Paraíba, João Pessoa, n° 12, p.95-107, 1953

HOLANDA, Sérgio Buarque de - Raízes do Brasil - 26ª Edição, São Paulo, Companhia das Letras, 1995

MAIA, Doralice Sátyro - Una Ciudad en reconstrucción: La Ciudad de Parahyba (Brazil) en siglo XIX - Scripta Nova - Revita Electrónica de Geografía e Ciencias Sociales; Vol. X, núm. 218, 01/08/2006, Universidad de Barcelona (http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-218-38.htm) acesso em 13/11/09

MOURÃO, Gonçalo de Barros Carvalho e Mello – A revolução de 1817 e a história do Brasil : um estudo de história diplomática - Brasília : Fundação Alexandre de Gusmão, 2009

OLIVEIRA, Elza Regis - A Paraíba na crise do século XVIII: subordinação e autonomia (1755-1799) Fortaleza: BNB/ ETENE, 1985.

 

 


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