1930- raça Álvaro Machado

 


 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

curiosidades

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AS ORDENS RELIGIOSAS

Além de muito prestigiada, a Igreja Católica era a guardiã da sociedade patriarcal e religiosa praticada no Brasil colônia e império. Após 40 anos da fundação a cidade tinha cerca de 80 casas, 3 igrejas e 3 conventos o que, pela proporção, dá par se notar o valor da Igreja durante a colonização. Aliás, alguns pesquisadores aventam o fato de a Coroa Portuguesa ter usado a Igreja como a mais importante ferramenta utilizada em seus interesses na "terra brasilis". Até porque o "padroado" favorecia a Coroa Imperial: nas terras descobertas o Rei podia autorizar ou obstruir o trabalho dos religiosos como bem lhe prouvesse. Citando o Pe. Manoel Medeiros (IHGP): "A igreja católica no Brasil, portanto, na Paraíba, tinha dois governos. Um canônico, com o Papa e os Bispos à frente, e outro imperial, com os reis de Portugal e depois do Brasil, que também era o Grão Mestre da Ordem Militar de Cristo,[1] no seu comando. Quem comandava a Igreja era o rei de Portugal, era o rei do Brasil (Reino Unido) e era o Imperador do Brasil. Isso durou até a República, quando houve a separação da Igreja do Estado. Foi um Deus nos acuda, mas foi um grande benefício para a Igreja, por que ela se sentiu livre".

As ordens religiosas dispunham de muitas propriedades, engenhos e escravos. O Tribunal do Santo Ofícío, durante a Inquisição, autorizou em 1595 a primeira visitação na Paraíba. Dezenas de pessoas foram penalizadas. O processo foi tão rigoroso que chegou a confiscar os bens do Padre João Vaz de Salem, homem muito rico, influente e também vigário da freguesia de Nossa Senhora das Neves. A partir do século XVIII as famílias mais abastadas e os representantes da classe dominante aprenderiam que o fato de se ter um padre na família era fator muito importante nas disputas pelo poder.

Os jesuítas foram os primeiros missionários que chegaram à Capitania da Paraíba. No final de 1588 iniciaram a construção de um convento e uma igreja dedicados a Nossa Senhora de Nazaré do Almagre[2]. Seus interesses conflitaram com os interesses da Coroa Portuguesa e foram expulsos da capitania em 1593. Em 1708 os jesuítas voltaram à Paraíba fundando um colégio onde ensinavam latim, filosofia e letras. Em 1745 o Padre Gabriel Malagrida aqui instalou o primeiro seminário para formação de padres diocesanos nas terras brasileiras. Contudo, em 1773 a congregação foi novamente expulsa da colônia em função da política de perseguição do Marquês de Pombal, ministro plenipotenciário do reinado de D. José I. O prédio do seminário passou a ser residência oficial do Ouvidor-Geral da capitania com a permissão do Papa Clemente XIV. Saiba mais sobre os jesuítas.

Os franciscanos estabeleceram-se na Capitania da Paraíba em 1589, convidados pelo Capitão-Mor Frutuoso Barbosa. Iniciaram, no mesmo ano, a construção do Convento de Santo Antônio, em taipa (madeira entrelaçada e barro), visando infraestruturar a Ordem para a catequese dos indígenas, o que fariam sob disputa ferrenha entre jesuítas e beneditinos. Retomaram melhorias no prédio do convento (usando pedra e cal) e iniciaram a construção da igreja de Santo Antônio (errônea e normalmente chamada igreja de São Francisco) que faz parte do conjunto hoje denominado "Centro Cultural São Francisco", considerado uma verdadeira jóia da arquitetura barroca nas Américas. O Centro Cultural é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN. Durante a ocupação holandesa o convento foi utilizado como residência do governador e casa de apoio para militares de altas patentes.
-Veja imagens do Centro Cultural São Francisco em "slide-show"
-Saiba mais sobre os franciscanos

Os beneditinos após criarem abadias em Salvador (1581), Rio de Janeiro (1586) e Olinda (1590), chegaram à cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves em 1596 e deram início às obras do Mosteiro de São Bento. Em 1721 iniciaram a construção da igreja que fica ao lado do convento. O conjunto tem estilo sóbrio mas harmonioso e imponente. O mosteiro foi desativado em 1921 e seu prédio tem sido locado para o funcionamento de instituições educativas. O Conjunto Beneditino é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e fica na Rua General Osório, perto da catedral. Saiba mais sobre os beneditinos.

Os carmelitas aqui se instalaram em 1588. Construíram um convento, a igreja de Nossa Senhora do Carmo e a capela de Santa Tereza D'Ávila, formando o Conjunto Carmelita em estilo barroco-rococó situado na parte mais alta da cidade. Num promontório ao largo da fóz do Rio Paraíba (hoje município de Lucena) contruíram a igreja de Nossa Senhora da Guia e um hospício, denominação dada aos hospitais religiosos no Brasil colônia. A Igreja da Guia é classificada como peça exemplar da arquitetura barroco-tropical em vista dos maravilhosos entalhes em pedra calcárea representando os frutos e a flora da nova terra. Não se tem muito sobre a Ordem porque durante o domínio holandês (1634 a 1654) os frades tentaram proteger seus documentos enterrando-os. Anos depois, grande parte dos documentos não foi encontrada e alguns estavam impróprios para a leitura. Saiba mais sobre os camelitas.

A Igreja Cristã Reformada (Igreja Protestante Calvinista nos Países Baixos) tentou se estabelecer no Brasil-colônia no Rio de Janeiro (1557-1558) através dos franceses e depois em Salvador (1624-1625) com os holandeses. Como uns e outros foram derrotados nessas capitanias, somente a partir de 1630, com a ocupação holandesa no nordeste do Brasil, houve condição para que fossem criadas suas congregações, estruturadas sob o Sínodo do Brasil[3]. Durante a ocupação holandesa (1630-1654) o nordeste chegou a ter 22 igrejas protestantes. Apesar de proclamarem a liberdade religiosa[4] para os vencidos, na prática existia apenas tolerância, a exemplo do que, em 1638, foram proibidas as procissões e todas as manifestações externas de culto católico, assim como a proibição do casamento católico sem a licença da Igreja Reformada, a bênção dos engenhos por padres e a extrema-unção, por padre, dada a portugueses condenados à morte. Cf. Mário Neme em "Fórmulas políticas no Brasil holandês".
A Igreja Cristã Reformada visou, também, a catequese dos índios, aproveitando o trabalho feito pelos padres católicos em aldeiamentos já existentes. Em 1939 existiam 21 aldeiamentos no nordeste holandês, dos quais, 7 na Paraíba. A evangelização indígena contava fortemente com o apoio do Estados Gerais dos Países Baixos, porquanto havia um trabalho paralelo para arregimentar guerreiros contra as tropas portuguesas.


AS IGREJAS

A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré do Almagre (foto-1960) é uma estrutura de estilo não muito bem definido erguida pelos jesuítas, entre 1588 e 1591, durante os trabalhos de catequização. Os registros documentais revelam pouco da história desse monumento mas, nota-se que também servia como posto de observação entre o mar e o rio. Suas ruínas encontram-se na Praia de Ponta de Campina (entre a praia de Intermares e a praia do Poço) em terreno de propriedade particular que sofre ação do Ministério Público e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba visando regulamentar o uso dos terrenos no entorno das ruínas.

Veja mais fotos em períodos posteriores que registram o descaso com que é tratada essa relíquia da nossa história: 1976 ; 1995; 2011

Leia artigo sobre a ação do MPF/PB sobre o descaso com o tombamento do imóvel ocorrido em 1937; acesso em 14/11/2011> http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias/noticias-do-site/copy_of_meio-ambiente-e-patrimonio-cultural/acao-do-mpf-pb-quer-garantir-recuperacao-da-igreja-do-almagre
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Igreja da Misericórdia
Foi edificada em 1612 sobre uma primitiva capela edificada no século XVI pelo rico proprietário Duarte Gomes da Silveira. Sofreu várias remodelações mas as paredes externas mantêm o estilo. Foi matriz até 1671, sendo a mais antiga das igrejas em atividade na Paraíba. É um monumento legado pela Santa Casa de Misericórdia e importantíssimo no quadro do patrimônio histórico e artístico paraibano. Fica na esquina da Rua Duque de Caxias com o Viaduto Terceiro Neto. O prédio sofreu trabalhos de restauração (2002-2007) conforme divulgado (leia a matéria aqui) na edição brasileira da Revista Museu.
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Conjunto Carmelita
A Igreja de N.S. do Carmo e Capela de Santa Tereza D'Ávila formam um belíssimo conjunto arquitetônico. No século XVIII o convento que aí existia foi demolido para a construção da residência do bispo D. Adauto de Miranda Henriques. Situa-se na Praça D. Adauto, no início da Rua Visconde de Pelotas.

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Centro Cultural São Francisco (CCSF)
Compreende o Convento e a Igreja de Santo Antônio[5] com a fonte e o relógio de sol; a Capela de São Francisco construída na lateral; cruzeiro frontal em pedra calcárea e adro com passagens da Via Sacra adornado com azulejos portugueses do século XVIII. O conjunto é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como relíquia da arquitetura barroca no Brasil. Fica na confluência da Rua D. Ulrico com a Duque de Caxias.
Ver apresentação de "slides"de todo o conjunto do CCSF

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Conjunto Beneditino
Após se instalarem em Salvador (1581), Rio de Janeiro (1586) e Olinda (1590) os beneditinos chegaram à cidade de Filipéia em 1596 e iniciaram as obras do Mosteiro de São Bento, também conhecido como Mosteiro do Calvário (Nóbrega,1982). Em 1721 iniciaram a construção da igreja que está ao lado do convento. O conjunto tem arquitetura de linhas sóbrias e harmoniosas. O mosteiro foi desativado em 1921 e sua área tem sido alugada para instituições de ensino. O Conjunto Beneditino fica na Rua General Osório, perto da catedral.

 


NOTAS

[1]
A Ordem Militar de Cristo foi a sucessora portuguesa da Ordem dos Templários que formou verdadeiros monges-soldados, acumulou muita riqueza, tornou-se poderosa e atraiu a inveja de muitos reis, sendo dissolvida pelo papa Clemente V. # A Ordem de Cristo foi criada com autorização papal em 1319 por D. Diniz, rei de Portugal. Muito rica e poderosa, financiou várias expedições marítimas dos portugueses, inclusive a que trouxe Cabral ao Brasil. Seu símbolo (uma cruz grega branca sobreposta a uma cruz patée vermelha) estava pintado em todos os barcos da esquadra. # O rei detinha o título de Grão Mestre da Ordem Militar de Cristo, cargo que implicava no controle das finanças de tudo o que se arrecadava em nome da Igreja com a denominação de dízimo.
[2]
Do árabe al-magrâ: barro vermelho muito utilizado nas construções. # Almagre era o antigo nome da faixa litorânea que compreende atualmente as praias de Intermares e Poço, em vista da barreira de corais ali existente. A palavra era usada pelos colonos espanhóis e portugueses referindo-se às pedras avermelhadas encontradas nos bancos de corais da costa do nordeste do Brasil. # Os indígenas chamavam essa pedra de itapitanga/tapitanga, sendo, desde aqueles tempos, um ponto de referência para a pesca, pois em volta dela sempre há peixes se alimentando. # Não raro se vê, ainda, esse tipo de pedra usada como contra-piso ou complemento de parede nas palhoças e habitações de aldeias pesqueiras no litoral da Paraíba. Recentemente, em visita ao Santuário de N.S. da Guia (Lucena), constatei o uso da tapitanga nos alicerces de paredes e calçadas que circundam a igreja.
[3]
A Igreja Cristã Reformada "era organizada sobre o trabalho de capelania dos Dominees (Pastores), organizando-se o seu Presbitério na Classe do Brasil (chamada a partir de 1640 de Classe Brasiliana) ou Sínodo do Brasil. A Igreja Reformada no Brasil holandês atingiu alto grau de organização; contudo o sistema de organização não funcionou como esperado. As igrejas locais não aceitavam o domínio político em seus concílios, sem falar nas imensas dimensões do território, que inviabilizavam as reuniões periódicas dos líderes reformados, dificultando o funcionamento do Presbitério organizado." cf trabalho do Prof. João Henrique dos Santos, da Universidade Gama Filho.
[4]
A circular de 25 de dezembro de 1634, distribuída pelos invasores aos habitantes da cidade de Filipéia foi a base do Pacto da Paraíba, acordo afiançado pelo Governo de Recife, em nome dos Estados Gerais e posteriormente estendido por Maurício de Nassau às demais capitanias sob sua administração. Entre outros parágrafos, dizia: “Em primeiro lugar, nós vos deixaremos livre o exercício de consciência do mesmo modo como o tendes usado antes, freqüentando as igrejas e praticando os sacrifícios divinos, conforme os seus ritos e preceitos, não roubaremos as vossas igrejas nem deixaremos roubar, nem ofenderemos as imagens nem os padres nos atos religiosos ou fora deles." cf Mário Neme, 1971.
[5]
- A Igreja de Santo Antônio, no início do século XX, sofreu reformas onde cobriram com tinta azul as cenas dos milagres de Santo Antônio e realçaram o medalhão central com a imagem de São Francisco. O equívoco só foi corrigido com a restauração feita pelo IPHAN em 1989 mas, sendo a igreja uma propriedade da Ordem Franciscana, efetivamente as pessoas continuaram a se referir à igreja como de São Francisco. A Igreja de Santo Antônio dispõe de duas capelas ao lado da nave central: a pequeníssima Capela de São Benedito, utilizada na época apenas por escravos (um por vez) do convento e a Capela Dourada, assim chamada por suas imagens e adornos em madeira com cobertura em ouro.
- A Capela de São Francisco (construída ao lado, com acesso pela igreja de Santo Antônio) é menos rica em detalhes e frequentemente locada para recitais e casamentos.

- Todo esse conjunto é denominado Centro Cultural São Francisco e pode ser melhor entendido através deste "layout" que fiz sobre foto.


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Para saber mais sobre o patrimônio artístico-cultural legado aos paraibanos pelas ordens religiosas, leia aqui um ótimo artigo da professora Carla Mary Oliveira sobre a arte barroca na Paraíba.
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BIBLIOGRAFIA:

BARBOSA, Cônego Florentino - O Convento de São Francisco
Rev.Inst.Hist.Geográfico Paraybano, João Pessoa, IHGP, n.8,1935

MELLO, J.A. Gonsalves de - Fontes para a história do Brasil holandês
Recife.MinC/Fundação Pró-Memória.1985

NEME, Mário - Fórmulas políticas no Brasil holandês
S. Paulo.DIFEL.1971

OLIVEIRA, Carla Mary - Arte, Religião e Conquista: os sistemas simbólicos do poder e o Barroco na Paraíba
João Pessoa.PPGS-UFPB.1999

SANTOS
, João Henrique - Aquela judia da Paraíba e o anti-semitismo nas atas da Igreja Cristã Reformada no Brasil holandês (1630-1654)
Mestrando em História Social na UFRJ

SCHALKWIJK, F.L. - A Igreja Cristã Reformada no Brasil Holandês
Rev. Inst. Arq., Hist. e Geog. de Pernambuco, vol. LVIII: 145-284

HOLANDA, Sérgio Buarque de - Raízes do Brasil
26ª Edição,São Paulo,Companhia das Letras,1995

 


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