Índice

portal

história da cidade

fotos

grandes personagens

instantâneos urbanos

arte e cultura

curiosidades

mapas

contato

 

 

 


Instantâneos Urbanos da Cidade de João Pessoa

CAIXA D'ÁGUA E MOCIDADE - dois personagens folclóricos que ninguém esquece pela rivalidade que mantinham entre si. Existiam-lhes alguns pontos em comum: a graça, a simpatia, o gosto pela fama e pela cachaça. Ambos já foram para outra dimensão.

Manoel José de Lima era popularmente conhecido como Caixa D'Água. Gabava-se de, igual ao Comendador Renato Ribeiro, sempre vestir terno de linho branco (às vezes nem tão branco devido à singeleza de suas finanças) e tornava-se incoveniente pela insistência em declamar seus versos, mesmo quando não convidado ao evento. Era assíduo na Churrascaria Bambu, ponto de encontro dos notívagos pessoenses nas décadas de 1960/70. Certa madrugada, trocando os passos ao retornar para casa, teve dificuldade em enfrentar a subida da Ladeira da Borborema e arrotou um poema que perduraria entre seus colegas de carraspana: "Ladeira da Borborema / tu sois mais alta do que eu / mas eu posso subir em tu / e tu num pode subir ineu".

João Costa e Silva, conhecido como Mocidade, foi um verdadeiro tribuno popular. Seu apelido veio do hábito de iniciar seus discursos com um "Mocidade da minha terra...". Tinha um vocabulário extenso, pois lia muito e não perdia oportunidade para soltar o verbo, o que lhe gerou dividendos junto ao governador João Agripino, admirador de uma boa oratória. Mocidade sempre achava uma maneira de discursar num evento público, o que gerava conflitos entre os organizadores. Tinha predileção por enterros, onde tecia comentários e elogios ao morto mesmo sem conhece-lo. Certa feita, durante a ditadura militar, juntou-se ocasionalmente a uma passeata de estudantes que protestavam contra ações Brasil x EUA e pediu a palavra. Tascou uma artilharia verbal contra o governo. No dia seguinte o governador mandou solta-lo.

Vassoura - seu nome era Maria Isabel Bandeira. Natural de Gurinhém e moradora em Santa Rita (Grande João Pessoa) era uma figura muito conhecida dos pessoenses entre os anos 1960 e 1980. Armada com um apito, calçando galochas, vestida com cores fortes e a bandeira nacional como manto, costumava montar sua égua e sair apitando pelo centro da cidade. Ao ouvir as pessoas gritarem - vassoooura! - respondia-lhes de pronto: É A MÃÃÃE SEU FELA DA PUTA!!!. Essa situação ecoava em grande parte do seu trajeto e, se identificado, o insultante poderia ser perseguido por uns bons galopes. # Ninguém esquece a velha senhora, sem saltar do cavalo, adentrando o Palácio do Governo para cumprimentar o governador... # Não raro, dependendo da magnanimidade momentânea, ela autorizava a si o controle do tráfego em determinada esquina e, pasmem!... os motoristas contribuíam obedecendo aos comandos de parar/prosseguir até que ela se retirasse. Era uma situação hilariante para motoristas e pedestres, com a ressalva de nunca ter havido acidentes ou prejuízos. # A melhor história é contada por José de Arimatéa Santana em seu livro "Santa Rita e seus vultos folclóricos": Isabel estava tão condicionada às provocações das pessoas que, certo dia, entrou num ônibus e sentou-se no banco traseiro. Passados alguns minutos, impacientou-se por não ter sido notada... sacou o apito e iniciou uma zorra que durou até o final da viagem. Vassoura faleceu em 2000 no Lar da Providência.

 


 

Livro de Visitas
Comentários dos Visitantes

    atualizado: 15-Ago-2010